Redução do consumo de açúcar em Portugal

A Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, lançou o documento “Redução do Consumo de Açúcar em Portugal: Evidência que Justifica Ação”.

Tendo como base toda a evidência dos malefícios do consumo excessivo de açúcares simples, nomeadamente ao nível do excesso de peso e do desenvolvimento de doenças crónicas, são propostas medidas para diminuir o seu consumo.

As bebidas açucaradas assumem um papel importante e crescente no consumo diário de açúcares simples, mesmo em idade infantil. Dado que são amplamente consumidas pela população e pela associação que têm com o aumento de peso, estas têm sido alvo de várias medidas de saúde pública com vista à diminuição do seu consumo, nomeadamente a sua taxação.

Segundo este documento, países como o México, a Hungria, a Noruega, a Finlândia, França ou mais recentemente a Inglaterra utilizam taxas sobre determinados alimentos. Em países que aderiram à taxação de bebidas açucaradas, observou-se que o seu consumo diminuiu. Para além disso, a própria indústria alimentar reformulou os seus produtos, diminuindo a quantidade de açúcar adicionado.

“Podem ser seguidas diversas estratégias para tornar a oferta de bebidas açucaradas mais favorável a consumos adequados. Entre outras, são habitualmente utilizadas as seguintes estratégias, de forma isolada ou integrada: a) limitação do acesso nos espaços públicos (por ex. hospitais, centros de saúde e outros estabelecimentos do SNS, estabelecimentos de ensino); b) aumento da oferta de alimentos e bebidas alternativas saudáveis, essencialmente água, nos espaços públicos; c) incentivo e apoio à reformulação da oferta por parte da indústria alimentar e; d) tornando o seu acesso mais difícil aos cidadãos através de medidas que condicionam o seu preço.”

Podem ler o documento aqui.

Na minha opinião, a taxação de alimentos considerados pouco saudáveis faz sentido quando acompanhada de medidas que promovam o consumo de alternativas saudáveis. O simples aumento de preço deste tipo de alimentos, que são particularmente consumidos por quem tem menos recursos económicos, poderá potenciar ainda mais as desigualdades em saúde. Em alternativa, se o aumento do preço destes alimentos for acompanhado pela promoção do consumo de alternativas saudáveis, como a água e bebidas não açucaradas, nomeadamente na redução do seu preço e na promoção do seu consumo através da educação alimentar, estaremos a promover mais eficazmente hábitos alimentares saudáveis.
Outra medida que considero que seria bastante útil seria a informação, no rótulo dos alimentos, nomeadamente na lista de ingredientes, da percentagem de açúcar adicionado. Isto porque através da análise da tabela de composição, onde nos é indicada a quantidade de açúcares do alimento, não está discriminado se são naturalmente presentes no alimento (e em que quantidade), ou se foram adicionados. No entanto, gostaria de relembrar que mesmo os açúcares naturalmente presentes nos alimentos não devem ser consumidos em excesso e que alguns xaropes/geleias vegetais, muitas vezes utilizados em receitas ditas saudáveis, contêm imensos açucares e são de alta carga glicémica ou são ricos em frutose, pelo que o seu consumo deverá ser moderado.
Por fim, relembro também que beber um sumo de fruta (mesmo que natural) não é o mesmo do que comer uma peça de fruta. Para além da resposta do organismo ser bastante diferente, ao comermos uma peça de fruta estamos a aproveitar todos os seus benefícios nutricionais, ao contrário do que acontece com o sumo de fruta!

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